Capítulo dois : a cidade perdida


            - Está pronta? – diz John.
            - Nasci pronta. – responde Lyn.
            Bom, depois de tudo que aconteceu com o mundo, a vida ficou meio sem graça. Heaven’s era a última esperança de quem sobrevivera à epidemia. No alto do monte hushmore, é um lugar que rico em comida, proveniente de aves, água e calor. Cercada de altos muros de madeira e tijolos, numa mistura maluca e forte, oferecia abrigo ao que sobrou da humanidade.
            John e Lyn saíram para caçar. Era cerca de nove horas da noite, todas as criaturas nocivas estavam enfim repousando. Pelo menos quase todas. Logo que saíram da cidade, puderam sentir o típico vento gelado no cabelo, apesar de John não ter mais nem um fio. O cenário era cercado por pinheiros gigantescos e mais nada a não ser a luz do luar.
            Sobre John: era espirituoso e destemido, só tinha um pouco de medo de certas criaturas lá fora, daquelas que chegam a ter o tamanho de três elefantes. Bem calmo e sereno, sempre pensava antes de agir, ao contrário de Lyn. Ela era bastante impulsiva e não pensava antes de fazer besteira, o que poderia a matar à qualquer momento, era só vacilar e já era.
            Olhando para o luar, os dois conversavam enquanto andavam:
            - Hoje a noite está linda. Olhando para isso, as vezes eu me esqueço de que o mundo não é mais lugar para nós. – reclamava John.
            - Esse planeta era lindo quando era habitável. Apesar de sempre ter alguém querendo arruinar tudo, até que era legal. -  Lyn respondeu.
            - Era mesmo. E agora só o que sobrou foi uma cidade no meio do nada...          
            - Eu me acostumei com essa vida, não preciso mais aturar meu chefe, não preciso mais acordar de madrugada pra fazer uma coisa totalmente desnecessária.
            - Concordo. Mas agora as preocupações são outras...
            Enquanto conversavam, andaram mais de 2 quilômetros sem perceber, até o ponto de caça. Achar comida não infectada que não sejam pássaros era meio difícil. A única maneira era adentrar nas cidades fantasma, que um dia foram superlotadas por um “formigueiro” de gente, e agora são dominadas por criaturas invasoras.
            A mais próxima era hostel town ( não se sabe quem deu esse nome ridículo para a cidade ). Não era muito grande, mas tinha alguns edifícios, e era bem fácil se perder por lá. Parecis que o mundo tinha se esquecido daquele lugar.
            Ao chegarem, o primeiro lugar para onde eles foram foi para a gravadora local, pois no topo tinha um ninho infestado de águia e cobras que queriam comer as águias. Eles só aproveitavam a deixa pra conseguir comida.
            Não foi difícil arranjar a janta desta vez. Parece que as cobras estavam de férias, não haviam nem cinco. Agora o próximo desfio do dia era voltar para Heaven’s. Todos os predadores já haviam notado a presença deles.
            - Está pronta?
            - nasci pronta. – respondeu Lyn.
            E saíram correndo. Saíram do prédio totalmente desesperados e ofegantes, não havia nenhum ainda mas pensar que eles não viriam era burrice. Foi só olhar para trás e ver a multidão vindo.
            Virando a esquina, o que parecia um platéia de um show do Paul MCartney era três vezes maior, e feita de super-humanos. Super-humanos eram os humanos infectados pelos aliens.
            Sem nenhuma outra alternativa eles deram meia volta e pegaram a estrada mais curta para casa. Parecia que o chão mantia eles no lugar a cada passo que davam. Cada minuto e cada centímetro contava. Lyn corria ao lado de John quando resolveu parar e dar uns tiros para espantar os Super-humanos. Péssima idéia, quando ela deu o primeiro tiro, um braço gigantesco saiu do meio da mata e agarrou em sua cintura.
            John virou e viu a cena horripilante antes de começar a atirar. As três primeiras balas acertaram o gigantesco membro que agarrava Lyn. O braço a soltou seguido de um hurro ensurdecedor vindo de trás das árvores. Ele correu e injetou uma espécie de vacina na moça e eles continuaram correndo até chegar na cidade segura.
            Quando os portões se tornaram visíveis, parece que todos os moradores haviam ouvido o som da grotesca criatura e já os esperavam na entrada principal.